Data: 18 de Dezembro de 2010
Horas: 20h50m
Canal Televisivo: SIC
Moderadora: Clara de Sousa
Candidatos intervenientes:
Francisco Lopes – candidato apoiado pelo Partido Comunista Português e pelo Partido Ecologista “Os Verdes”
Manuel Alegre – candidato apoiado pelo Partido Socialista, pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Democrático do Atlântico

Em directo:
20h50 – Começa o debate.
Manuel Alegre - “Há momentos em que o Presidente da República tem de fazer ouvir e projectar a voz de Portugal. E o Presidente fez pior do que isso, disse numa entrevista que não adiantava atacar o FMI e os poderes financeiros porque eles não nos ligavam nada. Isto não é uma coisa que um Presidente da República possa dizer.”
Francisco Lopes - “A intervenção do actual Presidente da República relativamente a esta especulação sobre a economia portuguesa é de facto altamente criticável.”
Francisco Lopes - “O Presidente deve assumir com honra aquilo que são as responsabilidades nacionais, da soberania, da independência e do Estado Português.”
Francisco Lopes - “Houve uma declaração surpreendente do actual Presidente em que disse que Portugal deveria fazer aquilo que os mercados diziam. Em vez de ser a voz de Portugal foi a voz dos mercados e da especulação financeira.”
Francisco Lopes - “A especulação não se resolve cedendo à especulação.”
Francisco Lopes - “Nós temos necessidade de fazer uma mudança que passa por aproveitar os recursos nacionais, pôr Portugal a produzir para substituir importações e exportar mais, apostar nos serviços públicos, acabar com esta situação de profunda injustiça fiscal.”
Manuel Alegre - “Eu acho que não há solução para Portugal fora da Europa. Qualquer solução tem de passar pela Europa.”
Manuel Alegre - “É difícil para um país sozinho nestas circunstâncias com ameaças de corte de financiamento e de colapso financeiro. Pode resistir, pode unir esforços, esse é o papel do Presidente da República, falar com outros Chefes de Estado e outras instituições e demonstrar que aquilo que se está a passar é uma ofensiva de órgãos não legítimos contra um país que tem a sua soberania e é um Estado Democrático.”
Manuel Alegre - “O actual Presidente cometeu um erro na interpretação teórica dos poderes presidenciais.”
Manuel Alegre - “O Presidente da República não é um tutor do Primeiro-Ministro.”
Manuel Alegre - “Na hora em que era preciso do Presidente, quando veio a crise, teve um papel muito passivo e muito clave.”
Manuel Alegre - “Eu não sou candidato para governar nem para fazer ou desfazer governos, sou candidato para exercer os poderes presidenciais no quadro da Constituição.”
Manuel Alegre - “Serei o Presidente de todos os portugueses mas não cederei a pressões ilegítimas contra o Estado Democrático.”
Francisco Lopes - “Como Presidente irei garantir uma mudança de política capaz de responder aos problemas nacionais.”
Francisco Lopes - “Este ano teria feito uma intervenção no quadro do orçamento para 2011 no sentido oposto aquilo que fez Cavaco Silva.”
Francisco Lopes - “O Presidente da República tem poderes, o problema não é ter mais poderes, é como e em que sentido os usa.”
Francisco Lopes - “Este orçamento significa recessão económica. Vai haver mais desemprego, os trabalhadores vão ter os salários cortados, as pensões serão congeladas, não vão haver aumentos na reforma, os serviços públicos estão a ser estrangulados, as PME’s estão a ser conduzidas para a falência e, ao mesmo tempo, não se toca nos interesses dos grupos económico-financeiros.”
Francisco Lopes - “O Presidente da República não governa nem elabora leis mas os seus poderes exercem sobre todos os aspectos da vida nacional.”
Francisco Lopes - “Usarei os poderes do Presidente no sentido de facilitar a adopção de soluções.”
Manuel Alegre - “Por muito mau que seja este orçamento, sem ele o nosso Estado ficaria minado. Eu não gosto deste orçamento mas pergunto-me o que é que naquela altura seria preferível para Portugal.”
Manuel Alegre - “O Presidente tem a responsabilidade de garantir a representação de Portugal, de ser o moderador, de ser um mediador político e social.”
Manuel Alegre - “Se o Presidente tem dúvidas de uma lei envia-a para o Tribunal Constitucional, se não está de acordo veta, agora promulgar e manifestar dúvidas, reservas e discordar, é enfraquecer a lei.”
Francisco Lopes - “Eu assumo-me como candidato a Presidente da República e é o povo português que decidirá quem na primeira-volta serão os candidatos que passam à segunda-volta.”
Francisco Lopes - “A minha candidatura é alternativa para o exercício das funções do Presidente da República e traduz de forma clara um movimento de alteração profunda na vida nacional, vinculada aos valores de Abril num rumo patriótico de esquerda que responda aos interesses dos trabalhadores.”
Manuel Alegre - “A candidatura do Francisco Lopes é positiva na tradição do PCP que contribui para o debate, para a clarificação de posições e para combater a abstenção.”
Manuel Alegre - “O importante é mobilizar as forças necessárias para que haja uma segunda volta.”
Francisco Lopes - “A candidatura de Manuel Alegre é um direito e está em melhores condições do que a minha de mobilizar todos aqueles que apoiam a política do Governo. Sinto-me em condições para mobilizar todos aqueles que estão descontentes com esta política e as suas consequências.”
Francisco Lopes - “Portugal não está condenado ao desemprego, à decadência, à corrupção, o povo português não tem que viver pior.”
Francisco Lopes - “As Eleições Presidenciais são uma oportunidade para o povo português fazer ouvir a sua voz, a sua indignação, a sua exigência de mudança, a sua esperança de construção de um Portugal com futuro. O meu compromisso não é com os grupos económico-financeiros, não é com os mercados, não é com a União Europeia, é com os trabalhadores e com o povo português.”
Manuel Alegre - “Há 99 mil jovens desempregados no nosso país e mais de metade em trabalho precário. Um relatório da OCDE mostra que o saber e o conhecimento aumentou e que as novas gerações estão mais preparadas que as anteriores . O mercado de trabalho e o tecido empresarial não se adaptaram a essa mudança. Portugal precisa das novas gerações é uma das minhas preocupações e é uma das razões porque me candidato a Presidente da República.”
21h22 – Começa o debate.