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[Debate] Defensor Moura – Francisco Lopes

Data: 28 de Dezembro de 2010

Horas: 20h30m

Canal Televisivo: TVI

Moderadora: Constança Cunha e Sá

Candidatos intervenientes:

Defensor Moura – candidato independente, membro do Partido Socialista

Francisco Lopes – candidato apoiado pelo Partido Comunista Português e pelo Partido Ecologista “Os Verdes”

Em directo:

20h30 – Começa o debate.

Defensor Moura – …

Francisco Lopes – …

[Debate] Cavaco Silva – Francisco Lopes

Data: 21 de Dezembro de 2010

Horas: 20h30m

Canal Televisivo: TVI

Moderadora: Constança Cunha e Sá

Candidatos intervenientes:

Cavaco Silva – actual Presidente da República desde 2006, apoiado pelo Partido Social Democrata, pelo CDS – Partido Popular e pelo Movimento Esperança Portugal

Francisco Lopes – candidato apoiado pelo Partido Comunista Português e pelo Partido Ecologista “Os Verdes”

Em directo:

20h30 – Começa o debate.

Cavaco Silva - “A cooperação estratégica funcionou até aqui e se eu for reeleito vai funcionar no futuro. A cooperação estratégica diz respeito à cooperação entre os órgãos de soberania para alcançar objectivos que são objecto de um amplo consenso.”

Cavaco Silva - “A situação financeira do país exige um Presidente com muitos conhecimentos, muita experiência e preparado para uma acção mais activa na procura de soluções.”

Cavaco Silva - “Quem disser que um candidato a Presidente vai tomar medidas está a mentir.”

Cavaco Silva - “Estou certo de que a situação do país estaria melhor se alguns alertas que eu lancei tivessem sido tomados em consideração no momento certo.”

Cavaco Silva - “Um Presidente da República tem de estar preparado para lidar com situações imprevisíveis e incertas e, por isso, a importância da experiência.”

Francisco Lopes - “Eu candidato-me com confiança nos trabalhadores, no povo e no país na perspectiva de um Portugal de desenvolvimento, de justiça e progresso social, num Portugal com futuro.”

Francisco Lopes - “O candidato Cavaco Silva é um dos principais responsáveis pelas dificuldades e injustiças sociais do nosso país.”

Francisco Lopes - “O Orçamento de Estado 2011 foi apadrinhado e patrocinado pelo candidato Cavaco Silva e que é um pacote de afundamento e de agravamento das injustiças sociais.”

Francisco Lopes - “Há um facto que marca este mandato do actual Presidente da República, em 2008 o apoio e a convergência estratégica entre o Governo e o Presidente sobre a nacionalização dos prejuízos do BPN. Cobriu uma fraude que foi realizada por Oliveira e Costa, ex-colaborador de Cavaco Silva e financiador da sua campanha nas últimas Eleições Legislativas.”

Francisco Lopes - “A mudança que proponho passa por exercer os poderes do Presidente da República que estão no quadro da Constituição. Não recuso nenhum dos poderes que está na Constituição, incluindo a dissolvência da Assembleia da República.”

Francisco Lopes - “O Presidente da República não governa, não elabora leis, mas tem um importante poder. Eu não usaria o poder de promulgação no caso do decreto para apropriar o prejuízo do BPN.”

Cavaco Silva - “O Orçamento é feito pelo Governo e pelos deputados, e Francisco Lopes é um deputado.”

Cavaco Silva - “Os portugueses não esquecem quem foi que criou o 14º mês para os pensionistas. Os trabalhadores agrícolas não esquecem que é que os integrou no sistema geral da segurança social onde estavam discriminados. Os trabalhadores não esquecem quem colocou fim aos 65 mil salários em atraso na Península de Setúbal, não esquecem quem lançou um programa de emergência para atacar a situação de miséria que existia na Península de Setúbal. Os trabalhadores não esquecem quem é que trouxe a Autoeuropa para Palmela, fui eu que inaugurei a fábrica. Os portugueses não esquecem que quando eu saí do Governo a dívida externa líquida de Portugal era zero, isto é, aquilo que Portugal devia ao estrangeiro era mais ou menos igual àquilo que os estrangeiros deviam a Portugal.”

Cavaco Silva - “Tenho muito orgulho daquilo que fiz pelo meu país sempre que fui chamado a desempenhar funções públicas. O que eu faço agora é tentar conduzir o país para uma linha de rumo, através da minha magistratura activa, que permita resolver os dois grandes problemas de Portugal: o desemprego e o endividamento externo.”

Cavaco Silva - “O Governo tem me dado todas as garantias de que actuará por forma a que o Fundo Monetário Internacional não entre em Portugal. Tenho que acreditar no Governo.”

Francisco Lopes - “O povo português não esquece que foi o candidato Cavaco Silva que nos anos 90 nos disse, numa perspectiva de integração do Euro, que Portugal ia integrar o pelotão da frente na União Europeia. Quem assume a responsabilidade de isso não acontecer? Hoje vê-se o que é isso do pelotão da frente, o desemprego, a decadência, a destruição do aparelho produtivo, a pobreza e a miséria. Quem assume as responsabilidades de Portugal estar na cauda da Europa e cada vez mais atrasado em relação aos outros países?”

Francisco Lopes - “Cavaco Silva devia ser garante da independência nacional e num momento em que está a haver um assalto ao erário público português a partir da especulação financeira, o que é que se impunha de um Presidente da República? Uma palavra em nome da soberania e da independência nacional. O candidato Cavaco Silva criticou aqueles que criticavam os especuladores e disse que deviam fazer aquilo que os especuladores queriam. Ora isso, não é ser a voz de Portugal, mas a voz dos especuladores.”

Francisco Lopes - “Eu assumo uma voz de Portugal em defesa dos interesses do país enquanto o candidato Cavaco Silva, num momento particularmente grave da vida nacional, assumiu-se não com a honra que deveria ter um Presidente da República mas como uma voz daqueles que estão a especular contra os interesses do nosso país.”

Cavaco Silva - “Eu estou aqui para tratar do futuro de Portugal. Os problemas de Portugal resolvem-se reorientando a política económica no sentido de produzirmos mais bens que concorrem com a produção externa e apostando na produtividade das empresas, dando apoio àqueles que estão afectados pela crise e falando a verdade aos portugueses.”

Cavaco Silva - “Nenhum país da Europa é totalmente independente porque são todos interdependentes uns dos outros.”

Cavaco Silva - “Aqueles que insultam os mercados internacionais estão a prejudicar seriamente o país.”

Francisco Lopes - “Uma coisa é interdependência entre os povos e as nações, outra coisa é Portugal e os seus órgãos de soberania abdicarem da capacidade de decisão soberana de Portugal e do povo português para decidir o seu próprio destino.”

Cavaco Silva - “Se eu merecer a honra da escolha dos portugueses serei Presidente de todos e desenvolverei uma magistratura de influência activa para que Portugal encontre um rumo que permita combater o desemprego, terei sempre uma atenção muito particular aos mais vulneráveis e aos mais pobres da nossa sociedade, é para mim uma questão social e é uma questão humana.”

Francisco Lopes - “A candidatura de Cavaco Silva significa o arrastamento do país para o atoleiro das dificuldades, da decadência, da dependência, do desemprego e da pobreza. A sua experiência acumulada ao longo dos anos mostra que não é adequada às necessidades actuais e do futuro do país. Proponho-me com confiança nos trabalhadores, no povo e no país a criar condições para uma mudança que permita o desenvolvimento, a justiça e o progresso social. assumo o compromisso de ser a voz dos trabalhadores, do povo, das novas gerações e dos mais idosos, das mulheres, dos pequenos e médios empresários, de todos aqueles que são e fazem Portugal. Assumo o compromisso de defender os interesses nacionais e não os interesses dos grupos económicos e financeiros cujo os lucros à medida que aumentam empobrecem milhões de portugueses e defender os interesses nacionais portugueses e não a submissão de Portugal a interesses estrangeiros.”

21h00 – Termina o debate.

[Debate] Francisco Lopes – Manuel Alegre

Data: 18 de Dezembro de 2010

Horas: 20h50m

Canal Televisivo: SIC

Moderadora: Clara de Sousa

Candidatos intervenientes:

Francisco Lopes – candidato apoiado pelo Partido Comunista Português e pelo Partido Ecologista “Os Verdes”

Manuel Alegre – candidato apoiado pelo Partido Socialista, pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Democrático do Atlântico

Em directo:

20h50 – Começa o debate.

Manuel Alegre - “Há momentos em que o Presidente da República tem de fazer ouvir e projectar a voz de Portugal. E o Presidente fez pior do que isso, disse numa entrevista que não adiantava atacar o FMI e os poderes financeiros porque eles não nos ligavam nada. Isto não é uma coisa que um Presidente da República possa dizer.”

Francisco Lopes - “A intervenção do actual Presidente da República relativamente a esta especulação sobre a economia portuguesa é de facto altamente criticável.”

Francisco Lopes - “O Presidente deve assumir com honra aquilo que são as responsabilidades nacionais, da soberania, da independência e do Estado Português.”

Francisco Lopes - “Houve uma declaração surpreendente do actual Presidente em que disse que Portugal deveria fazer aquilo que os mercados diziam. Em vez de ser a voz de Portugal foi a voz dos mercados e da especulação financeira.”

Francisco Lopes - “A especulação não se resolve cedendo à especulação.”

Francisco Lopes - “Nós temos necessidade de fazer uma mudança que passa por aproveitar os recursos nacionais, pôr Portugal a produzir para substituir importações e exportar mais, apostar nos serviços públicos, acabar com esta situação de profunda injustiça fiscal.”

Manuel Alegre - “Eu acho que não há solução para Portugal fora da Europa. Qualquer solução tem de passar pela Europa.”

Manuel Alegre - “É difícil para um país sozinho nestas circunstâncias com ameaças de corte de financiamento e de colapso financeiro. Pode resistir, pode unir esforços, esse é o papel do Presidente da República, falar com outros Chefes de Estado e outras instituições e demonstrar que aquilo que se está a passar é uma ofensiva de órgãos não legítimos contra um país que tem a sua soberania e é um Estado Democrático.”

Manuel Alegre - “O actual Presidente cometeu um erro na interpretação teórica dos poderes presidenciais.”

Manuel Alegre - “O Presidente da República não é um tutor do Primeiro-Ministro.”

Manuel Alegre - “Na hora em que era preciso do Presidente, quando veio a crise, teve um papel muito passivo e muito clave.”

Manuel Alegre - “Eu não sou candidato para governar nem para fazer ou desfazer governos, sou candidato para exercer os poderes presidenciais no quadro da Constituição.”

Manuel Alegre - “Serei o Presidente de todos os portugueses mas não cederei a pressões ilegítimas contra o Estado Democrático.”

Francisco Lopes - “Como Presidente irei garantir uma mudança de política capaz de responder aos problemas nacionais.”

Francisco Lopes - “Este ano teria feito uma intervenção no quadro do orçamento para 2011 no sentido oposto aquilo que fez Cavaco Silva.”

Francisco Lopes - “O Presidente da República tem poderes, o problema não é ter mais poderes, é como e em que sentido os usa.”

Francisco Lopes - “Este orçamento significa recessão económica. Vai haver mais desemprego, os trabalhadores vão ter os salários cortados, as pensões serão congeladas, não vão haver aumentos na reforma, os serviços públicos estão a ser estrangulados, as PME’s estão a ser conduzidas para a falência e, ao mesmo tempo, não se toca nos interesses dos grupos económico-financeiros.”

Francisco Lopes - “O Presidente da República não governa nem elabora leis mas os seus poderes exercem sobre todos os aspectos da vida nacional.”

Francisco Lopes - “Usarei os poderes do Presidente no sentido de facilitar a adopção de soluções.”

Manuel Alegre - “Por muito mau que seja este orçamento, sem ele o nosso Estado ficaria minado. Eu não gosto deste orçamento mas pergunto-me o que é que naquela altura seria preferível para Portugal.”

Manuel Alegre - “O Presidente tem a responsabilidade de garantir a representação de Portugal, de ser o moderador, de ser um mediador político e social.”

Manuel Alegre - “Se o Presidente tem dúvidas de uma lei envia-a para o Tribunal Constitucional, se não está de acordo veta, agora promulgar e manifestar dúvidas, reservas e discordar, é enfraquecer a lei.”

Francisco Lopes - “Eu assumo-me como candidato a Presidente da República e é o povo português que decidirá quem na primeira-volta serão os candidatos que passam à segunda-volta.”

Francisco Lopes - “A minha candidatura é alternativa para o exercício das funções do Presidente da República e traduz de forma clara um movimento de alteração profunda na vida nacional, vinculada aos valores de Abril num rumo patriótico de esquerda que responda aos interesses dos trabalhadores.”

Manuel Alegre - “A candidatura do Francisco Lopes é positiva na tradição do PCP que contribui para o debate, para a clarificação de posições e para combater a abstenção.”

Manuel Alegre - “O importante é mobilizar as forças necessárias para que haja uma segunda volta.”

Francisco Lopes - “A candidatura de Manuel Alegre é um direito e está em melhores condições do que a minha de mobilizar todos aqueles que apoiam a política do Governo. Sinto-me em condições para mobilizar todos aqueles que estão descontentes com esta política e as suas consequências.”

Francisco Lopes - “Portugal não está condenado ao desemprego, à decadência, à corrupção, o povo português não tem que viver pior.”

Francisco Lopes - “As Eleições Presidenciais são uma oportunidade para o povo português fazer ouvir a sua voz, a sua indignação, a sua exigência de mudança, a sua esperança de construção de um Portugal com futuro. O meu compromisso não é com os grupos económico-financeiros, não é com os mercados, não é com a União Europeia, é com os trabalhadores e com o povo português.”

Manuel Alegre - “Há 99 mil jovens desempregados no nosso país e mais de metade em trabalho precário. Um relatório da OCDE mostra que o saber e o conhecimento aumentou e que as novas gerações estão mais preparadas que as anteriores . O mercado de trabalho e o tecido empresarial não se adaptaram a essa mudança. Portugal precisa das novas gerações é uma das minhas preocupações e é uma das razões porque me candidato a Presidente da República.”

21h22 – Começa o debate.

[Debate] Fernando Nobre – Francisco Lopes

Data: 14 de Dezembro de 2010

Horas: 20h50m

Canal Televisivo: RTP1

Moderadora: Judite de Sousa

Candidatos intervenientes:

Fernando Nobre candidato independente

Francisco Lopes – candidato apoiado pelo Partido Comunista Português e pelo Partido Ecologista “Os Verdes”

Em directo:

20h50 – Começa o debate.

Francisco Lopes - “O Orçamento de Estado 2011 é um desastre Nacional.”

Fernando Nobre - “O papel do Presidente da República é de moderação, mobilização e canalização de boas vontades.”

Fernando Nobre - “A minha candidatura é a única livre. A candidatura de Francisco Lopes é a oposta da minha.”

Francisco Lopes - “A minha candidatura é de verdade, caracterizada pela segurança e pela clareza. Eu assumo pessoalmente que sou candidato à Presidência da República.”

Fernando Nobre - “O Sr. Francisco Lopes sabe o que é ter pessoas ao seu lado a morrer de fome? O Sr. Francisco Lopes sabe o que é ver corpos à sua frente? A minha experiência é de política internacional. O Sr. Francisco Lopes já criou algum posto de emprego? O Sr. Francisco Lopes já viu alguma criança a correr atrás de uma galinha por causa de um bocadinho de pão que levava no bico?”

Fernando Nobre - “Se for eleito Presidente da República, farei tudo para não dar posses a Governos minoritários.”

Fernando Nobre - “Nunca participei em nenhum campeonato. Eu vou de mãos livres para esta corrida.”

Francisco Lopes - “Eu usarei todos os meus poderes para uma mudança de política.”

Francisco Lopes - “Ele diz que é um candidato independente mas em 2002 foi apoiante de Durão Barroso e invoca sempre o apoio a Mário Soares.”

Fernando Nobre - “Eu apoio as ideologias políticas que concordo em cada altura. Eu assumo todos os apoios que fiz.”

Fernando Nobre - “Eu quero que o nosso parlamento só tenha 100 deputados.”

Fernando Nobre – “Eu quero que todos os detentores de cargos políticos tenham acesso a um portal da internet  público com informação sobre todos os bens que possuam”.

Fernando Nobre – “Criar empregos para a inclusão. Permitir o auto emprego. Permitir a criação de empresas com capital zero e com micro crédito garantido.”

Francisco Lopes - “Quero um serviço Nacional de Saúde realmente gratuito.”

Francisco Lopes - “Tudo o que não é preciso é flexibilizar os salários e facilitar o despedimento”

Fernando Nobre – “Não é pelo facilitismo do despedimento que se cria crescimento.”

Francisco Lopes - “Cada voto na minha candidatura é um voto para impedir que Cavaco Silva vença à primeira volta.”

Fernando Nobre – “A minha candidatura é de união. A minha é a única transversal, sou o único candidato que tenho na minha candidatura vários elementos de diferentes partidos.”

Francisco Lopes – “A minha candidatura é a única que não tem nenhum compromisso com este esquema que tem afundado o país.”

Francisco Lopes – “Fernando Nobre fala daquilo que existe mas não ataca os problemas, refugia-se.”

Fernando Nobre – “É a primeira vez na história da República de Portugal que um cidadão comum se candidata a Presidente.”

Francisco Lopes – “Conheço, sinto e vivo a situação dos trabalhadores portugueses.”

21h23 – Termina o debate.

Crónica: Continuidade ou ruptura?

As sondagens divulgadas nos últimos dias retratam uma evidência do Portugal democrático, que é o facto de o presidente em exercício recolher a maioria das intenções de voto. Tanto assim tem sido, que por norma os desafiantes ao segundo mandato ou são soluções de recurso para os partidos, ou são pré-candidaturas para confirmação daí a cinco anos.

Com a excepção de 1980, em que a direita revanchista apresentou a forte candidatura do general Soares Carneiro, (o que levou a uma união PS/PCP pela reeleição de Eanes), em 91 foram Basílio Horta (CDS) e Carlos Carvalhas (PCP) a contestarem sem sucesso a reeleição de Soares, e em 2001 Ferreira do Amaral (PSD), António Abreu (PCP) e Fernando Rosas (BE), a manifestarem oposição ao bis de Jorge Sampaio, que reuniu o pleno da esquerda na primeira eleição (ver outros candidatos aqui).

A reeleição do Presidente da República é, pois, uma não notícia, sendo então a putativa notícia a apresentação de um candidato forte, que colocasse em questão o plebiscito. Com um governo PS, poder-se-ia pensar que tal aconteceria em 2011, mas as circunstâncias particulares rapidamente afastaram essa hipótese. Mergulhado nas suas intrínsecas teias, Sócrates quis tudo menos abrir uma nova frente de batalha, e por isso aceitou, sem convicção, Alegre como o representante da área socialista.

Antes de dar tempo ao PS, o Bloco de Esquerda jogou a sua cartada, capturando Alegre como o candidato da esquerda contra o neo-liberalismo. E assim Alegre se viu triste (ignóbil trocadilho), perdendo a força da voz livre que teve na primeira candidatura. Não esquecendo que, nessa circunstância, a força lhe foi dada pelo seu partido, ao recusar-lhe o apoio, optando pelo remake (em farsa) de Soares.

No actual cenário, e podendo ter optado por uma solução mais forte, o PCP avançou com Francisco Lopes, um dirigente desconhecido do eleitorado, e com uma campanha, até à data, conduzida para o voto militante.

Lembrando que BE e PCP nunca equacionaram uma candidatura comum, dificilmente ganhadora, mas que expressasse nas urnas uma vontade de ruptura com o centrão, que governa o país há mais de três décadas.

Fernando Nobre, o possível outsider, não conseguiu ainda qualquer protagonismo, percorrendo o país há um par de meses sem reflexo no seu resultado nas sondagens ou na arena mediática.

Para um eleitor de esquerda (e permitam-me recordar o meu apoio crítico a Nobre), estas presidenciais arriscam-se a ser um doloroso manual do que não se deve fazer, quando se tem como objectivo a vitória, ou, no mínimo, uma campanha mobilizadora e recrutadora de forças para a luta contra os sucessivos PEC’s.

Concluindo daqui que, à esquerda, os protagonistas envolvidos procuraram mais o protagonismo das suas particulares bandeiras do que uma verdadeira alternativa ao presidente em exercício (e ex-longo-primeiro-ministro), que é um dos principais responsáveis pelo estado da nação.

Esperemos que a campanha eleitoral traga debate positivo, que leve os cidadãos a uma reflexão sobre quem de facto querem na presidência da república. Um situacionista ou uma mudança de paradigma?

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