Arquivo de etiquetas: Jose Barros

Crónica: Perceber um candidato e escolher um Presidente

Os economistas românticos acreditam sempre que a generalidade dos empresários financeiros gostam de ajudar os necessitados…! Os psicólogos sabem que a motivação empresarial é quase sempre egoísta, mas o mundo académico das técnicas institucionais, sob o isolamento das especialidades, formata os menos pensantes a regras autistas, favorecedoras dos interesses dominantes nas cúpulas hierárquicas do Poder, que se transfere, cada vez mais, para a economia, por submissão ideológica dos representantes políticos, rendidos ao suborno do liberalismo capitalista.

Se uma família, depois de fazer face à sobrevivência e ao conforto mínimo, consegue poupar, a sua capacidade máxima de aquisição de bens acessórios faz-se do somatório das prestações, que deve ser inferior ao montante que se poupava regularmente, depois de satisfeita a sobrevivência e conforto mínimo; porque deve haver sempre uma poupança de valor absoluto, para fazer face a imprevistos. O maior imprevisto é a forte redução de receita, com a perda da fonte de rendimento; em termos individuais é a perda de emprego e em termos colectivos é a perda de clientes!

Continuar a ler

Crónica: Frente-a-frente, a tecnocracia e o humanismo militantes

Finalmente, o debate que se aguardava; Nobre ante Cavaco, demonstrando-se que um bom político faz-se da humanidade e da solidariedade de compaixão, pelos que sofrem e não do autismo tecnocrata, submisso aos números e a uma só verdade transitória, que desconhece a verdade do sentir das pessoas, por se apoiar em manuais desajustados da realidade presente, nos quais não se escreve o valor incomensurável de cada vida humana!

Cavaco falou acomodado ao sistema, que nos conduziu à crise e vive dela, porque tudo é uma oportunidade de negócio, e isto foi para o que formataram a cabeça destes técnicos académicos, que não conseguem pensar fora dos livros, que memorizaram!

Nobre falou da alteração de atitudes e da condenação da lógica, que maltrata o povo submisso por gerações a fio, para afirmar que o mais importante são as pessoas e a sua felicidade, através da justa repartição de recursos! Não podemos ter alguns privilegiados com muito, extraído de uma maioria com pouco!

Cavaco é partidário da manutenção dos estatutos injustos e da tradição imposta ao acto político, para se fazer sempre como se fez; por isso quer aprovar qualquer Orçamento, porque os orçamentos são para se aprovarem, sejam péssimos ou não, numa lógica de afirmação dos que mandam, como querem os interesses minoritários! Por causa disto, tem feito um discurso de contradições, quando refere que promulga, mas não concorda, quando faz um veto político, sem pedir fiscalização constitucional preventiva de diplomas anti-constitucionais, como de resto o próprio representante da República para as regiões autónomas, ou quando promulga com dúvidas; queremos ver a continuidade disto, quando aprovar o Orçamento, que diz desconhecer, mas que o obrigou a manter semanas de conversação com os Partidos, no sentido da sua viabilização, apesar de o considerar mau, ou quando aprovar as alterações à Lei laboral, apesar de dizer que está contra a alteração do regime de contratação e despedimento e contra o despedimento sem justa causa, que o PSD dirigente defende agora!

Nobre responde a isto com a pergunta; “que linguagem é esta?”; ele não defende o politiquês, habitual na geração de políticos, que não querem exercer o Poder, que escolheram e definiram constitucionalmente, para favorecer o povo, que os contrata e paga! Nobre não quer cumprir a tradição, que sacrifica sempre os mais frágeis e os mantém sempre pobres, na expectativa triste e resignada de dias melhores, na esperança de uma alma boa que os salve! O médico humanitário defende que não se pode dar a um doente, um medicamento que o prejudique, e este Orçamento péssimo devia ter sido revisto, no contexto de uma dialéctica de avaliação de prioridades de corte das despesas, colocando o Presidente da República numa postura de regulador e corrector do exercício governativo, em favor da cura do doente; não se pode dar veneno a quem se diz que se quer curar, porque é uma pura traição!

No que toca a salvar pessoas, nas missões mais difíceis e de maior risco, de onde os políticos tradicionais se arredam, Nobre demonstrou que isso lhe foi solicitado, confiado e atribuído por um ministro de Cavaco, que também lhe agradeceu, quando teve de ir ao Iraque, resgatar Portugueses da guerra! Nobre conseguiu mostrar a sua profunda indignação, contra o autismo de uma elite caduca, partidária do mando ditatorial, sem sensibilidade social e favorecedora da tradição liberalizadora da ganância, do neo-capitalismo!

O problema de Portugal é isto; temos técnicos, sem capacidade para lidar com pessoas, com um grande complexo de arrogância e superioridade, por terem interiorizado a importância do seu estatuto sócio-económico e o sentimento de segregação social das elites, ao estilo da sociedade medieval de senhores e escravos, que continua a afirmar o orgulho da supremacia de classes! Nobre é o exemplo acabado de que um técnico só será bom político, depois de ter caminhado entre os mais pobres, para poder experimentar a sensação do sofrimento alheio e poder adoptar uma postura amiga de ajuda humanitária e de constante luta contra o sofrimento, que os maus políticos desencadeiam. Que se fez ao serviço cívico pré-universitário, que devia ter sido institucionalizado nos estágios profissionais pós-universitários? As causas solidárias e humanistas do altruísmo social ficam sempre reduzidas à velha lógica da esmola episódica, que, contudo, alguns transformam em missão de vida, a ajudar os outros!

Como se pode servir bem, quem não incluímos na nossa realidade de desafogo e maior felicidade e como podemos ser bem servidos, por quem se julga superior e não sofre um décimo, daquilo que manda sofrer aos outros? Nós precisamos de políticos que tenham como missão ajudar-nos e proteger-nos da má-fé dos gananciosos.

Do que se conhece dos dois candidatos, é fácil saber o que a inteligência do voto deve escolher. Teremos um povo eleitor maioritariamente inteligente? Estarão dentro dos abstencionistas crónicos e nos que preferem as soluções minoritárias?

Enquanto Alegre e Moura, igualmente representantes do sistema que nos governa, querem concentrar os votos dos clubistas socialistas, aglutinando esquerdistas (Bloquistas, Alegristas e Anistas) e pseudo-moderados (liberais que Moura não quer que se abstenham), Cavaco representa a institucionalização do sistema de criação de crises, que ilude os eleitores, e Nobre não terá ainda um povo suficientemente acordado e crítico, que lhe dê a confiança, mas será um candidato vencedor, para quando Cavaco terminar o segundo mandato, depois de mais uma desilusão merecida! Nisto, os candidatos de aparelhos partidários fechados no fundamentalismo intelectual das doutrinas, passam despercebidos do centro das atenções!

Num tempo de clara contradição ideológica dos Partidos governativos e no fim de um historial governativo, de ideologias capitalistas liberalistas da ganância financeira, Cavaco representa a acomodação ao primitivismo do Poder, das elites económicas do sistema medieval de incrementação dos maus caracteres, enquanto Nobre representa o esforço anti-sistema, contra a hipocrisia altiva das elites dirigentes, sonhando em conseguir a evolução mental da humanidade e materializando o “Imagine” de John Lennon!

Falta-nos apenas saber, como se irá comportar Nobre, se forçar uma segunda volta das Presidenciais…; a quem dará o seu apoio, caso passem Cavaco e Alegre? Se não der a nenhum, consolida a sua posição para o futuro!

Crónica: O que vamos debater nas Presidenciais?

Passada que foi a indefinição do actual presidente da República, quanto à viabilização dos debates televisivos, em tempo oportuno para a reflexão alargada, por parte dos eleitores, interessados mais em ideias do que em propaganda, ou em seguidismos partidários e fanatismos de culto de imagens fabricadas de pessoas, estamos na fase da definição de motivações, estudo de caracteres e julgamento de personalidades reais; para os mais esclarecidos interessa apenas o que os candidatos fazem ou fizeram, do que o que dizem, politicamente correcto!

Para isto, os eleitores têm de saber no que vão votar, que tipo de pessoas querem para a função e que utilidade têm as mesmas, para satisfazer as necessidades da boa governação de Portugal.

Os directórios partidários têm-se cansado de fazer crer que a presidência da República tem poucos poderes; muitos titulares de órgãos de soberania queixam-se do mesmo e, contudo, isso significa que temos, isso sim, um equilíbrio de poderes, concretizando-se a ideia justa de que todas as fontes de Poder devem ser reguladas. Os Poderes absolutos, que agora reclamam, não são mais do que remanescências ditatoriais de uma época, em que os actuais detentores de Poder institucional cimeiro cresceram e formaram-se academicamente, sob a orientação ideológica de um regime educacional medieval escolástico e tecnocrático, de verdade única e absoluta.

Ou seja, foram ensinados e formatados para agir, segundo ordens pré-concebidas, e não para avaliar o valor das acções possíveis!

Para que os eleitores saibam bem o que vão receber do produto da personalidade escolhida, o Presidente não vai governar o País, mas sim, vai regular a governação, avaliando o valor das propostas legislativas. É ele que promulga os diplomas legais em Diário da República, concordando com o proposto; se não concorda, pode vetar, pedindo a fiscalização constitucional .

Isto quer dizer que o presidente da República é, em teoria, o garante de que a Lei está subordinada aos normativos constitucionais, pelo que costuma pedir a fiscalização preventiva ao tribunal constitucional, em caso de dúvidas da legalidade das propostas! Mas também pode requerer a apreciação de Leis já promulgadas, pedindo fiscalização abstracta!

Isto leva-nos ao essencial dos poderes presidenciais; a personalidade titular pode ser um instrumento de melhoria da Lei, do ponto de vista da coerência política, tentando revogar injustiças praticadas pela aplicação da Lei anti-constitucional. Mas este Poder pode ser também exercido pelo governo, deputados nacionais, representantes da república e órgãos da magistratura. Até porque têm a vantagem de serem os autores da dita Constituição, que não foi construída, com base na vontade popular; quando muito, derivou de uma sensibilidade social próxima do sentido de justiça popular!

Perguntamos agora; porque razão o presidente da República só exerce o direito de fiscalização preventiva, ou seja, só avalia as intenções legislativas?

Porque neste País tudo é feito pelo menor esforço possível, evitando-se colocar alguém em situação incómoda de irresponsabilidade ou má-fé política? O tal corporativismo de classe…!

Qualquer Presidente que pedisse a chamada fiscalização abstracta de diplomas já em vigor, teria de preparar-se para que o Estado tivesse de anular os efeitos retroactivos da aplicação das Leis inconstitucionais, sendo que os primeiros responsáveis pelos efeitos injustos são os agentes políticos legisladores. Isso iria penalizar governantes, ou/ e deputados e presidentes da República, de onde saem os candidatos, porque o Estado, sustentado pelos contribuintes/ eleitores, não pode continuar a pagar pelos erros e má-fé da irresponsabilidade dos inimputáveis políticos, que escolhemos mal e pagamos principescamente!

Portanto, parece que os Poderes presidenciais são bem maiores do que querem fazer crer à ignorância, com a passividade de uma mera magistratura de influência de discursos, entre viagens! Além do mais, estes poderes são ampliados ao direito de dissolução de Assembleias, mesmo em situação governativa de maioria parlamentar!

Posto isto, de sabermos o que podemos exigir ao futuro presidente da República e de sabermos avaliar melhor quem está a exercer o cargo, resta-nos saber escolher o melhor carácter e utilidade, dos que ainda não foram Presidentes, porque do actual já temos um juízo formado pelo que lhe vimos realizar, face a situações passadas no mesmo cargo e até face a posturas éticas em desempenho pessoal ou governativo, quando agiu como cidadão, ou autorizador de acções sobre o povo, que o pagava, o tinha eleito, ou que representava!

É aqui que reside o problema do actual Presidente, quando se viu confrontado com o pedido de presença em debates, entre candidatos, e com os ataques pessoais, que já começaram a circular na comunicação social e nas redes sociais; tentou protelar o tempo da lavagem de roupa suja…!

Estão a apurar-se os comportamentos e posturas do passado remoto dos candidatos mais viáveis; que Cavaco estava ao lado do antigo regime, que ainda subsiste mentalmente, e que Alegre traiu os compatriotas nas campanhas militares das ex-colónias, em nome da deposição do regime. Um juntou-se ao esforço político governativo da época e outro participou activamente na morte de militares portugueses emboscados. Face a isto, comprovando-se como verdade, quem merecerá mais a confiança dos portugueses?

Se uns estão mais manchados, o que dizer dos outros candidatos? Vão ter de confrontar-se com acusações de um passado moralmente inadequado, ou vão ter interesse em tornar visível a estrutura ética insustentável, dos que se alimentam do marketing partidário?

Saberão eles que a força governativa de Portugal, bem como a capacidade de regulação nacional derivam do Poder maior dos normativos europeus, agora produzidos por um grupo parlamentar comunitário maioritário de cariz neo-liberal? E que o governo português e o presidente da República se tornaram em vassalos obedientes, subjugados à dívida, que ajudaram activamente a construir? Porque todos os governos se subjugaram a uma demagogia única de mercado, para a qual a ideologia política da preocupação social é incómoda?

Por causa desta impotência, resultante de incompetência intelectual generalizada da tecnocracia, que só sabe agir e obedecer a fórmulas viciadas, mal explicadas, a Presidência torna-se estrategicamente cooperante com o governo!

Porque não diz a verdade aos Portugueses, quem diz que é necessário fazê-lo? É que Portugal, face aos gravíssimos problemas ainda não desvendados, precisa de estadistas, de homens de coragem, para exprimirem os seus pensamentos, sem medo de ferir susceptibilidades confusas e alienadas!

Cronista: José Barros

José Barros é o décimo cronista a aceitar o nosso desafio de escrever para o Presidenciais.com.

Frequentou a Faculdade de Ciências (Biologia) de U Coimbra, a Faculdade de Ciências (Biologia) de U Lisboa e a Universidade Aberta (Ensino de Ciências e Matemática). Fez formação variada em política, educação, ciências, informática, gestão, ambiente e segurança.

Exerceu actividade profissional, como investigador, como docente do ensino secundário, como técnico comercial, como consultor de segurança e como empresário.

Recebeu diversos prémios de excelência enquanto professor, na categoria de projectos educativos de inovação educacional e enquanto empresário, na categoria de projectos de empreendedorismo.

Desempenhou cargos como representante comercial, representante dos alunos no Conselho pedagógico da FCUL, director de núcleo da LPN, investigador de ornitologia e herpetologia, no CEMPA e Serviço de Parques e Reservas Naturais, docente director de instalações escolares, director de turmas, director de grupo disciplinar, gestor de projectos educativos e gerente de negócio.

Iniciou a militância no Partido social-democrata, em 1990 e desempenhou cargos nas Comissões políticas de secção, nos Congressos do Partido e na Assembleia distrital de Braga. Participou como ideólogo, na produção de documentos essenciais do Partido, no tocante à elaboração de um programa (http://socialhumano.blogspot.com) e de novos estatutos para o PSD.

Nunca alinhou por nenhum grupo, sendo um simples militante de causas e ideias de modelo social, intransigente com os não convictos dos ideais, mas apostado em fazer cumprir o bom senso altruísta e a justiça social, no plano da democracia participativa. Luta por uma democracia efectiva e por um sistema social coerente, solidário e fraterno.

Tem como paixão e entretenimento as viagens, a leitura e a produção escrita de artigos políticos, educativos, científicos e sociológicos. Colabora com artigos políticos em blogs e troca ideias nas redes sociais.

Desempenhei cargos como representante comercial, representante dos alunos no Conselho pedagógico da FCUL, director de núcleo da LPN, investigador de ornitologia e herpetologia, no CEMPA e Serviço de Parques e Reservas Naturais, docente director de instalações escolares, director de turmas, director de grupo disciplinar, gestor de projectos educativos e gerente de negócio.