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Crónica: O Milagre

O Secretário-geral do PS afirmou na TSF e no Diário de Notícias estar confiante na vitória de Manuel Alegre nas eleições presidenciais de Janeiro.

O candidato Manuel Alegre perdeu as eleições presidenciais no momento em que não conseguiu ser o “candidato-vítima”. Nas últimas eleições presidenciais Manuel Alegre foi o homem traído pela ala soarista do seu próprio partido e o eleitorado quis castigar Mário Soares por uma candidatura completamente sem sentido. Essa divisão eleitoral no centro-esquerda e a dificuldade da esquerda mais radical em se unir, engolindo um sapo, permitiu a Cavaco Silva uma vitória na primeira volta.

Ao longo dos últimos anos, Manuel Alegre foi perdendo, paulatinamente, o tal “milhão de votos” conquistado anteriormente. Sempre que se aproximava da linha oficial do seu partido fugiam alguns milhares. Esta sua recandidatura, agora com o apoio oficial do seu partido e a oposição oficiosa da ala soarista, está condenada ao fracasso fruto destas circunstâncias e da dificuldade de entendimento na criação de uma verdadeira frente de esquerda nestas eleições. Se todo o centro-esquerda e a esquerda estivessem unidos em torno de Alegre e o centro-direita e a direita descontente com Cavaco Silva fosse tentada a votar em Fernando Nobre (ajudado por mais umas boas centenas de votos do soarismo), talvez fosse possível o milagre para Manuel Alegre. Talvez.

A realidade é outra e as palavras de José Sócrates só podem ser entendidas à luz de uma obrigação política natural de apoio ao seu candidato. Agora só um milagre. Será que Alegre, um republicano/laico e socialista acredita em milagres?

Crónica: A Motivação do Eleitorado

A acreditar nas sondagens de opinião recentemente publicadas, o actual Presidente da República terá pela frente um verdadeiro passeio eleitoral e uma vitória clara e expressiva.

Perante tal cenário, por sinal previsível, o maior adversário de Cavaco Silva será a abstenção e a ideia generalizada que a eleição está ganha. Os portugueses estão descontentes com a governação e mais preocupados com o futuro da economia nacional, olhando com alguma indiferença para umas eleições que não consideram decisivas para a mudança necessária.

Ao mesmo tempo, a previsão de resultado eleitoral para Manuel Alegre é uma verdadeira hecatombe. O eleitorado pretende, simultaneamente, enviar um sinal claro de descontentamento ao governo e Manuel Alegre será o principal prejudicado.

Porém, mesmo estando plenamente convencido da vitória de Cavaco Silva logo na primeira volta, julgo que os resultados não serão aqueles que as sondagens espelham. Na hora de votar o eleitorado comunista fará com que o seu candidato se aproxime dos 9 a 10% e Manuel Alegre não terá menos de 25%, andando Cavaco Silva pelos 55%.

Uma coisa parece certa: os portugueses não estão, ainda, mobilizados para estas eleições. Porventura, já só pensam em legislativas antecipadas. É uma questão de motivação. Ou de falta dela…

Crónica: Primeiras notas soltas

A 62 dias das eleições Presidenciais, e por isso com algum distanciamento do acto eleitoral, enuncio aqui algumas curiosidades:

– Cavaco Silva, ao contrário do que a generalidade da opinião pública pensa não é apenas apoiado por 2 partidos políticos PSD e CDS/PP, mas também por um terceiro o MEP (Movimento Esperança Portugal) que foi aliás o 1º a demonstrar publicamente esse apoio.

– São três os candidatos da área Política do PS: Manuel Alegre (também apoiado pelo BE), Fernando Nobre (ligado ao “Soarismo”) e Defensor Moura (Ex-Presidente da CM de Viana do Castelo, eleito pelo PS);

– O Mandatário de Lisboa de Cavaco Silva é Luís Campos e Cunha, 1º Ministro das Finanças do 1º Governo de José Sócrates;

– A Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Simonetta Luz Afonso eleita ao lado de António Costa pelo PS é apoiante de Cavaco Silva;

– Manuel João Vieira é pela 3ª vez Candidato a Candidato;

– Garcia Pereira líder do MRPP, o eterno candidato não se vai candidatar.

Crónica: Poderão as Presidenciais servir para discutir os problemas do país?

As próximas Presidenciais configuram-se como um ritual para cumprir os calendários eleitorais  da democracia formal que temos. Cavaco Silva aparece como o vencedor anunciado, Manuel Alegre e os outros candidatos desempenham o papel de legitimadores do processo.

É  democráticamente muito redutor e frustrante.

Desempenhando o Presidente da  República, no nosso sistema constitucional, um papel fundamental  no equilibrio de poderes, deveriam as eleições  ser a oportunidade para o confronto de projectos diferenciadores do desempenho da função presidencial  numa perspectiva  de progresso da sociedade portuguesa.

Na actualidade, dada a delicada situação nacional, as eleições Presidenciais poderiam – e deveriam- , dar um contibuto substantivo para o debate das soluções dos graves problemas orçamentais, financeiros, políticos e sociais que o país atravessa :

1.Como proceder aos necessários ajustamentos orçamentais sem estrangular o indispensável crescimento económico, fomentar a produtividade e a produção, consolidar a competitividade do país?

2.Como proceder aos necessários ajustamentos orçamentais salvaguardando a coesão social, garantindo a indispensável proteção dos desfavorecidos, a solidariedade, pilar estruturante da democracia?

3.Como travar a trajectória perigosamente ascendente da dívida pública?

4. Como realizar as inadiáveis reformas estruturais da educação, da justiça e da administração central e territorial do Estado?

5.Como renovar e regenerar os Partidos, enraízando-os na sociedade, transformando-os em forças motoras da democracia e da governação sustentável do País?

6. Como ultapassar o défice de cidadania e civismo que existe na sociedade portuguesa?

Declaraçâo de interesses: sou apoiante da candidatura de Manuel Alegre pelo que representa de ideia de progresso, de pátria e de solidariedade.

Manuel Alegre: “Futuro de Portugal joga-se a 23 de Janeiro”

Manuel Alegre não considera que as Eleições Presidenciais de 23 de Janeiro sejam apenas um mero acto eleitoral.

Segundo o candidato, “O que se joga a 23 de Janeiro é o futuro político do nosso país, é o modelo de sociedade“, advertiu, lembrando que a sua eleição ou a de Cavaco Silva terá uma grande influência na hipótese de existir uma crise política no próximo ano.