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Crónica: Hoje somos todos José Manuel Coelho

Então um site de esquerda apoia o José Manuel Coelho?”, é a interrogação que mais temos recebido a propósito da petição lançada pelo vermelhos.net com o lema “Todos os candidatos têm direito ao espaço público informativo”.

Compreendemos a questão que nos é colocada, mas essa incompreensão revela também como é difícil para alguns separarem as suas convicções político-ideológicas particulares daquilo que são os valores fundamentais da democracia. E o que aconteceu com a decisão de excluir José Manuel Coelho dos debates foi um acto anti-democrático que, agora que se confirma a candidatura do mesmo, tem de ser corrigido.

Também já nos foi colocada a situação de Luís Botelho Ribeiro, que continua a pugnar pela admissão como candidato, e, como é óbvio, tudo o que dizemos em relação a JM Coelho aplica-se a quem mais venha a validar a candidatura.

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Crónica: Uma Nobre Desilusão

Devo confessar que tinha algumas expectativas na candidatura de Fernando Nobre, por contraponto às restantes candidaturas da área da esquerda política. Em primeiro lugar porque, ao contrário de Manuel Alegre em 2006, era uma candidatura protagonizada por uma figura exterior à classe política, apesar da recorrente questão da simpatia da ala soarista do PS (e do próprio Mário Soares). E em segundo lugar, estava perante uma personalidade que, dada a sua experiência riquíssima dentro da AMI, parecia trazer consigo alguma sabedoria sobre o que move a verdadeira vox populi nestes tempos de crise, as angústias, os receios do futuro, os erros passados…nesta dinâmica de emoções, achei que estávamos perante um candidato que como poucos saberia compreender toda envolvência da crise que nos rodeia, e de como a ambiguidade e em alguns casos a falácia do discurso político contribui sobremaneira para a criação de uma atmosfera negativa na sociedade em geral, e para a criação de uma espiral de efeitos imprevisíveis. Fernando Nobre parecia ser o candidato que, tendo contactado com cenários na realidade nacional e internacional onde tais sentimentos emergiram (e emergem), poderia contribuir para uma voz de orientação respeitada por todos. Não sendo o meu candidato, acreditava com alguma certeza das benfeitorias que a sua candidatura poderia trazer para uma dinâmica de afirmação pela cidadania que o povo português necessita cada vez mais de cultivar, e que se apresentava em contraste com um quadrado algo indefinido de Manuel Alegre, que sendo um indiscutível defensor desta causa, tem por vezes dificuldade em afirmá-la de forma positiva.

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Crónica: A insustentável leveza das convicções de Alegre

Os debates televisivos entre os candidatos à presidência da república, permitiram confirmar algo que já aqui havia dito, as eleições resumem-se à luta entre Cavaco e Alegre.

Os restantes candidatos limitam-se a cumprir calendário, a fazer o frete e, como Marcelo disse, e bem, a serem candidatos anti-candidatos.

Fernando Nobre é anti-candidato de Alegre, Defensor Moura é anti-candidato de Cavaco, Francisco Lopes é anti-candidato de qualquer coisa e José Manuel Coelho é anti-candidato de tudo e mais alguma coisa.

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Crónica: O Coelho que saiu da Cartola

I – O próprio

Os 5 candidatos inicialmente previstos, afinal transformaram-se em 6, José Manuel Coelho, militante do PND/Madeira e ex-deputado. Os debates acabaram e o previsível e já anunciado por Cavaco Silva aconteceu, a antecipação dos debates antes da confirmação da aceitação de candidatura do Tribunal Constitucional constituiu uma precipitação que criou logo à partida uma entropia democrática. Existem hoje confirmados mais candidatos que os previstos, mas também podia ter acontecido que candidatos previstos não tivessem formalizado correctamente a sua candidatura. Este Sexta candidato apresenta-se não como um representante de uma candidatura de direita, de acordo com o posicionamento do PND, nem regional, pela origem do candidato, mas sim como uma candidatura anti-sistema. Para mim é mais uma antecâmara para as eleições Regionais que decorrem na Madeira em Outubro deste ano.

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Crónica: Defensor Moura – de joker a trunfo à esquerda?

Defensor Moura tem ainda um debate, com Francisco Lopes, mas terminou já o ciclo que de facto mais poderia interessar aos eleitores a quem se dirige, assumidamente os socialistas resistentes a Manuel Alegre, o eleitorado de ”centro-esquerda”, como o próprio diz, que se poderia encaminhar para a abstenção, ou mesmo para Cavaco.

O anúncio da candidatura à presidência da República do ex-presidente da Câmara de Viana de Castelo foi recebido pela comunicação social, e pelos opinadores de serviço, no habitual tom jocoso reservado a quem, vindo da província, se atreve a tentar entrar nos jogos palacianos da capital.

Defensor aguentou esse primeiro impacto imperturbável, definiu e colocou na agenda os seus temas de campanha (pela regionalização, pela reforma administrativa contra a corrupção e o clientelismo) mas, apesar disso, chegou aos confrontos com os outros candidatos ainda com o estatuto de joker.

Mas os debates correram bem. Correram até muito bem, face às expectativas, e Defensor passou de ingénuo médico da província para o homem que aplicou um KO ao embasbacado Cavaco Silva, que ainda hoje não deve saber o que lhe passou por cima. Juntando a este surpreendente debate a presença serena, mas determinada, nas disputas com Alegre e Nobre, Defensor Moura pode bem ter passado o ser o trunfo da esquerda nesta primeira volta, se conseguir congregar o voto do eleitorado PS que se recusa, pelo menos na primeira volta, a votar Alegre, e que também não se tem mostrado, a acreditar nas sondagens, particularmente seduzido por Fernando Nobre.

Feitas as contas, um resultado eleitoral de 8 a 10% para Defensor pode significar segunda volta, onde (e só aí) o contabilista do grande capital pode ser finalmente enviado para uma tranquila reforma. Já merece, porque desde 1985 (ou 81, se quisermos) que o personagem tem estado a destruir paulatinamente aquilo a que ainda gosto de chamar as conquistas de Abril, promovendo a fortuna dos seus colaboradores, dos banqueiros e do empresariado rentista.

Todos os votos contam, e os de Defensor contam à esquerda.