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Crónica: Última Página

A pré-campanha das eleições presidenciais prosseguem num tom morno estando definitivamente confinada a 2 candidatos, Cavaco Silva e Manuel Alegre.

Com todo o respeito que os restantes candidatos me merecem, as sondagens vieram confirmar o que é aliás, já de todos conhecida, ou seja, de que estes candidatos estão tão-só a cumprir calendário ou mesmo a fazer o frete.

Posto isto, como referi, a corrida é entre Alegre e Cavaco, com este último a partir à frente do adversário 25 pontos percentuais.

Recorde-se que em 2006 Cavaco venceu com uma diferença de 30% sobre Alegre, mas havia o factor Soares pelo meio que agora não se verifica, pelo que, seria (será que seria?) de esperar que essa diferença agora fosse bem menor.

O que é então que explica este fenómeno?

A resposta é simples, a candidatura de Alegre que afirma ser suprapartidária é apoiada (será que é?) pelo BE e PS e aqui tudo começa a complicar, porque para que Alegre possa ser candidato apoiado pelos 2 partidos acabou por desenvolver uma dupla personalidade.

Alegre na busca do sonho perdido em 2006, esqueceu-se que não seria possível manter um casamento com o PS e uma união de facto com o BE.

Não pode ser apoiado pelo partido do governo e simultaneamente pelo partido que faz oposição dura ao governo.

Esqueceu-se também que há quem no PS não se esqueça de 2006 (desde logo Soares).

Conclusão, Alegre cai na ambiguidade de pedir mais intervenção na sua campanha dos militantes do PS e ao mesmo tempo participa em manifestações de estudantes contra o governo!

Poderá Alegre esperar ter ao seu lado militantes do PS em manifestações contra o governo? Não me parece, ainda que comece a achar que isso já esteve mais longe.

Mas Alegre não se esqueceu somente destes pequenos pormenores, esqueceu-se também que o dito apoio do PS só vai servir… ao PS.

O PS apoia sem apoiar, mas cujo apoio desapoiado lhe vai permitir que a derrota brutal de Alegre que certamente virá afinal nem foi culpa sua porque… até apoiou!

Com isso lavarão as mãos, quais Pilatos, e deixarão claro algo muito simples, em 2006 não foi o PS que retirou a oportunidade a Alegre de ser PR, mas foi sim este o responsável pelo PS ter perdido essas eleições.

O PS aproveitou estas eleições para pôr Alegre no “sitio”, para que este não se esqueça que “quem se mete com o PS, leva” (lembram-se?).

Parece-me pois, que este será mais um poema com um final dramático para Alegre, que poderia muito bem ter servido de inspiração à sua “Última página”:

Vou deixar este livro. Adeus.

Aqui morei nas ruas infinitas.

Adeus meu bairro página branca

onde morri onde nasci algumas vezes.

Crónica: Continuidade ou ruptura?

As sondagens divulgadas nos últimos dias retratam uma evidência do Portugal democrático, que é o facto de o presidente em exercício recolher a maioria das intenções de voto. Tanto assim tem sido, que por norma os desafiantes ao segundo mandato ou são soluções de recurso para os partidos, ou são pré-candidaturas para confirmação daí a cinco anos.

Com a excepção de 1980, em que a direita revanchista apresentou a forte candidatura do general Soares Carneiro, (o que levou a uma união PS/PCP pela reeleição de Eanes), em 91 foram Basílio Horta (CDS) e Carlos Carvalhas (PCP) a contestarem sem sucesso a reeleição de Soares, e em 2001 Ferreira do Amaral (PSD), António Abreu (PCP) e Fernando Rosas (BE), a manifestarem oposição ao bis de Jorge Sampaio, que reuniu o pleno da esquerda na primeira eleição (ver outros candidatos aqui).

A reeleição do Presidente da República é, pois, uma não notícia, sendo então a putativa notícia a apresentação de um candidato forte, que colocasse em questão o plebiscito. Com um governo PS, poder-se-ia pensar que tal aconteceria em 2011, mas as circunstâncias particulares rapidamente afastaram essa hipótese. Mergulhado nas suas intrínsecas teias, Sócrates quis tudo menos abrir uma nova frente de batalha, e por isso aceitou, sem convicção, Alegre como o representante da área socialista.

Antes de dar tempo ao PS, o Bloco de Esquerda jogou a sua cartada, capturando Alegre como o candidato da esquerda contra o neo-liberalismo. E assim Alegre se viu triste (ignóbil trocadilho), perdendo a força da voz livre que teve na primeira candidatura. Não esquecendo que, nessa circunstância, a força lhe foi dada pelo seu partido, ao recusar-lhe o apoio, optando pelo remake (em farsa) de Soares.

No actual cenário, e podendo ter optado por uma solução mais forte, o PCP avançou com Francisco Lopes, um dirigente desconhecido do eleitorado, e com uma campanha, até à data, conduzida para o voto militante.

Lembrando que BE e PCP nunca equacionaram uma candidatura comum, dificilmente ganhadora, mas que expressasse nas urnas uma vontade de ruptura com o centrão, que governa o país há mais de três décadas.

Fernando Nobre, o possível outsider, não conseguiu ainda qualquer protagonismo, percorrendo o país há um par de meses sem reflexo no seu resultado nas sondagens ou na arena mediática.

Para um eleitor de esquerda (e permitam-me recordar o meu apoio crítico a Nobre), estas presidenciais arriscam-se a ser um doloroso manual do que não se deve fazer, quando se tem como objectivo a vitória, ou, no mínimo, uma campanha mobilizadora e recrutadora de forças para a luta contra os sucessivos PEC’s.

Concluindo daqui que, à esquerda, os protagonistas envolvidos procuraram mais o protagonismo das suas particulares bandeiras do que uma verdadeira alternativa ao presidente em exercício (e ex-longo-primeiro-ministro), que é um dos principais responsáveis pelo estado da nação.

Esperemos que a campanha eleitoral traga debate positivo, que leve os cidadãos a uma reflexão sobre quem de facto querem na presidência da república. Um situacionista ou uma mudança de paradigma?

www.vermelhos.net

Manuel Alegre quer ganhar para ficar só cinco anos

Manuel Alegre concorre à Presidência da República para um só mandato. Este é o desejo do candidato apoiado por PS e Bloco de Esquerda que declarou querer vencer as Eleições Presidenciais 2011 para ficar apenas cinco anos no Palácio de Belém.

“É pelo menos o meu desejo”, confessou Manuel Alegre que está confiante que dificilmente terá menos votos do que nas Presidenciais 2006, apesar de as sondagens não lhe serem favoráveis.

Cronista: João Delgado

João Delgado, nascido em Angola e com 48 anos de idade é o novo membro do grupo de cronistas do Presidenciais.com.

Licenciado em Sociologia e Mestre em Ciências da Educação, desempenha funções como professor no ensino profissional e autor multimédia.

Foi militante do PCP de 1979 a 1991 e do Bloco de Esquerda desde a sua fundação.

Encabeçou a lista alternativa mais votada à direcção do BE nas duas últimas convenções do partido, tendo-se demitido da Mesa Nacional na sequência do processo de decisão do apoio a Manuel Alegre.

Foi deputado municipal em Braga (2005/09) e cabeça de lista à Câmara Municipal nas últimas autárquicas.

Editor de um site sobre política www.vermelhos.net

Alegre acredita que pode disputar segunda volta com Cavaco

Manuel Alegre está convencido de que é possível conseguir levar Cavaco Silva à segunda volta das Presidenciais 2011 e vencê-lo.

O candidato presidencial do PS e BE fez um apelo a todos os membros que incorporam a sua Comissão Política para que procurem promover as Eleições Presidenciais em todas as intervenções públicas que façam. Esta é a receita que Alegre acha precisar para conseguir impedir a reeleição de Cavaco.

A Comissão Política da candidatura de Manuel Alegre integra dirigentes do PS, do Bloco de Esquerda, da Renovação Comunista e independentes do Movimento de Intervenção e Cidadania (MIC).

Alegre destacou “a grande variedade e qualidade” dos elementos que fazem parte da sua Comissão Política e acrescentou que “Fora desta candidatura, estas pessoas têm posições políticas muito diferentes. Mas aqui houve uma grande convergência quanto ao reconhecimento da importância desta candidatura e do apoio a esta candidatura”.