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Crónica: A insustentável leveza das convicções de Alegre

Os debates televisivos entre os candidatos à presidência da república, permitiram confirmar algo que já aqui havia dito, as eleições resumem-se à luta entre Cavaco e Alegre.

Os restantes candidatos limitam-se a cumprir calendário, a fazer o frete e, como Marcelo disse, e bem, a serem candidatos anti-candidatos.

Fernando Nobre é anti-candidato de Alegre, Defensor Moura é anti-candidato de Cavaco, Francisco Lopes é anti-candidato de qualquer coisa e José Manuel Coelho é anti-candidato de tudo e mais alguma coisa.

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[Debate] Cavaco Silva – Manuel Alegre

Data: 29 de Dezembro de 2010

Horas: 20h50m

Canal Televisivo: RTP

Moderadora: Judite de Sousa

Candidatos intervenientes:

Cavaco Silva – actual Presidente da República desde 2006, apoiado pelo Partido Social Democrata, pelo CDS – Partido Popular e pelo Movimento Esperança Portugal

Manuel Alegre – candidato apoiado pelo Partido Socialista, pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Democrático do Atlântico

Em directo:

20h50 – Começa o debate.

Cavaco Silva – …

Manuel Alegre – …

[Debate] Fernando Nobre – Manuel Alegre

Data: 22 de Dezembro de 2010

Horas: 20h30m

Canal Televisivo: TVI

Moderadora: Constança Cunha e Sá

Candidatos intervenientes:

Fernando Nobre – candidato independente

Manuel Alegre – candidato apoiado pelo Partido Socialista, pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Democrático do Atlântico

Em directo:

20h30 – Começa o debate.

Manuel Alegre – “Consegui unir aquilo que parecia impossível unir (PS e BE), por isso, consigo unir muito mais. Noutras condições posso unir os portugueses em torno do essencial.”

Manuel Alegre – “Não tenho pé no Governo nem na oposição, porque eu não sou refém de ninguém, não pedi licença a ninguém para me candidatar.”

Manuel Alegre – “Consegui unir apoios tão oposto porque há alguma virtude e alguma capacidade de unir. O objectivo é disputar a Eleição Presidencial, não se trata de discutir soluções do Governo, isso já sabe que há uma grande incompatibilidade entre os partidos da esquerda para conseguirem soluções. Houve uma convergência em relação às Presidenciais.”

Manuel Alegre – “Nunca fui candidato do nim.”

Manuel Alegre – “Sou uma pessoa que pensa pela sua própria cabeça, sou um homem livre e independente, não era agora que me ia deixar capturar e aprisionar.”

Fernando Nobre – “Eu invoco a cidadania porque sempre foi a minha área de actuação.”

Fernando Nobre – “Tenho dificuldade em compreender o Dr. Manuel Alegre, foi a pessoa que nas últimas Presidenciais em Janeiro de 2006 dizia que o Francisco Louçã era o Cavaco do avesso, foi a pessoa que ainda em 2007 dizia como deputado que o Governo do Partido Socialista estava a destruir o Estado Social. O Dr. Manuel Alegre é um homem que eu não chego a compreender em termos de coerência.”

Fernando Nobre – “Eu estou aqui para defender os valores dos cidadãos, da coerência, da verdade e da dignidade.”

Fernando Nobre – “Há cinco anos estive ao lado do candidato do Partido Socialista nas Presidenciais, fui membro da sua comissão de honra.”

Fernando Nobre – “Eu acho que para o futuro do nosso país nós temos que ter uma única linguagem, a linguagem que se tem em privado e em público. Porque é dessa dignidade e dessa postura que nós podemos criar um outro paradigma, uma outra mentalidade no nosso país.”

Fernando Nobre – “Eu candidatei-me enquanto cidadão porque entendi que depois de ter tanto recebido do meu país, tinha chegado o momento de eu me dar ao meu país.”

Manuel Alegre – “Eu não gosto de pessoas que se apresentam como pertença superioridade moral sobre os outros, ninguém tem o monopólio da cidadania.”

Manuel Alegre – “Não misturemos discussão política sobre as Eleições Presidenciais com percursos de vida.”

Fernando Nobre – “Se houver uma segunda volta, eu estarei na segunda volta. Eu estou aqui para ganhar e é a única razão que me fez levantar.”

Fernando Nobre – “Nós estamos numa ruptura. Nós estamos num beco. Nós estamos num plano inclinado que leva o nosso país a uma situação de insustentabilidade.”

Fernando Nobre – “Não há maior falência da nossa democracia do que a fome instalada entre nós.”

Manuel Alegre – “Eu estou aqui pelo futuro, porque ninguém é proprietário nem da cidadania nem do futuro. Eu entendo que Portugal tem de mudar na democracia e com a democracia.”

Manuel Alegre – “O discurso de Fernando Nobre tem riscos, quando há uma crise como esta e quando houve erros, a fome e a pobreza tem de ser faladas com cuidado sem procurar tirar dividendos políticos ou eleitorais.”

Fernando Nobre – “O Dr. Manuel Alegre fala muito de justiça social mas sabe quanto é que custa um litro de leite, um pão, um ticket da Carris?”

Fernando Nobre – “Eu estou a preocupar-me com Portugal e com os jovens e os idosos deste país. Se nós não tivermos um Estado sustentável financeiramente, nós estamos a hipotecar o futuro de uma próxima geração.”

Manuel Alegre – “Eu nunca fui uma pessoa acomodada e estou preparado para ser o Presidente de todos os portugueses. Estamos todos cansados de um discurso repetitivo e aborrecido sem chama, sem alma e sem esperança. Uma nação não é só números, é a sua cultura, a sua história, a sua identidade e as suas pessoas. Neste momento é preciso pensar nas pessoas, dar um sentido aos sacrifícios e as pessoas precisam de um Presidente que garanta os seus direitos fundamentais, eu dou essa garantia.”

Fernando Nobre – “Eu decidi candidatar-me num momento decisivo para Portugal. Candidato-me com experiência de vida, sou um ser livre e independente. Eu não estou aqui para continuar um percurso que nos conduziu a um beco onde nós estamos. Eu estou aqui para mudar, para que os jovens ainda ousem sonhar. É nesse sentido que apelo a todos vós, não se acomodem, não desistam, não tenham medo, ousem mudar. Mais do mesmo nós já sabemos aonde nos conduz. Vocês são livres, o voto é vosso e com o voto vocês tem opinião.”

21h00 – Termina o debate.

[Debate] Francisco Lopes – Manuel Alegre

Data: 18 de Dezembro de 2010

Horas: 20h50m

Canal Televisivo: SIC

Moderadora: Clara de Sousa

Candidatos intervenientes:

Francisco Lopes – candidato apoiado pelo Partido Comunista Português e pelo Partido Ecologista “Os Verdes”

Manuel Alegre – candidato apoiado pelo Partido Socialista, pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Democrático do Atlântico

Em directo:

20h50 – Começa o debate.

Manuel Alegre – “Há momentos em que o Presidente da República tem de fazer ouvir e projectar a voz de Portugal. E o Presidente fez pior do que isso, disse numa entrevista que não adiantava atacar o FMI e os poderes financeiros porque eles não nos ligavam nada. Isto não é uma coisa que um Presidente da República possa dizer.”

Francisco Lopes – “A intervenção do actual Presidente da República relativamente a esta especulação sobre a economia portuguesa é de facto altamente criticável.”

Francisco Lopes – “O Presidente deve assumir com honra aquilo que são as responsabilidades nacionais, da soberania, da independência e do Estado Português.”

Francisco Lopes – “Houve uma declaração surpreendente do actual Presidente em que disse que Portugal deveria fazer aquilo que os mercados diziam. Em vez de ser a voz de Portugal foi a voz dos mercados e da especulação financeira.”

Francisco Lopes – “A especulação não se resolve cedendo à especulação.”

Francisco Lopes – “Nós temos necessidade de fazer uma mudança que passa por aproveitar os recursos nacionais, pôr Portugal a produzir para substituir importações e exportar mais, apostar nos serviços públicos, acabar com esta situação de profunda injustiça fiscal.”

Manuel Alegre – “Eu acho que não há solução para Portugal fora da Europa. Qualquer solução tem de passar pela Europa.”

Manuel Alegre – “É difícil para um país sozinho nestas circunstâncias com ameaças de corte de financiamento e de colapso financeiro. Pode resistir, pode unir esforços, esse é o papel do Presidente da República, falar com outros Chefes de Estado e outras instituições e demonstrar que aquilo que se está a passar é uma ofensiva de órgãos não legítimos contra um país que tem a sua soberania e é um Estado Democrático.”

Manuel Alegre – “O actual Presidente cometeu um erro na interpretação teórica dos poderes presidenciais.”

Manuel Alegre – “O Presidente da República não é um tutor do Primeiro-Ministro.”

Manuel Alegre – “Na hora em que era preciso do Presidente, quando veio a crise, teve um papel muito passivo e muito clave.”

Manuel Alegre – “Eu não sou candidato para governar nem para fazer ou desfazer governos, sou candidato para exercer os poderes presidenciais no quadro da Constituição.”

Manuel Alegre – “Serei o Presidente de todos os portugueses mas não cederei a pressões ilegítimas contra o Estado Democrático.”

Francisco Lopes – “Como Presidente irei garantir uma mudança de política capaz de responder aos problemas nacionais.”

Francisco Lopes – “Este ano teria feito uma intervenção no quadro do orçamento para 2011 no sentido oposto aquilo que fez Cavaco Silva.”

Francisco Lopes – “O Presidente da República tem poderes, o problema não é ter mais poderes, é como e em que sentido os usa.”

Francisco Lopes – “Este orçamento significa recessão económica. Vai haver mais desemprego, os trabalhadores vão ter os salários cortados, as pensões serão congeladas, não vão haver aumentos na reforma, os serviços públicos estão a ser estrangulados, as PME’s estão a ser conduzidas para a falência e, ao mesmo tempo, não se toca nos interesses dos grupos económico-financeiros.”

Francisco Lopes – “O Presidente da República não governa nem elabora leis mas os seus poderes exercem sobre todos os aspectos da vida nacional.”

Francisco Lopes – “Usarei os poderes do Presidente no sentido de facilitar a adopção de soluções.”

Manuel Alegre – “Por muito mau que seja este orçamento, sem ele o nosso Estado ficaria minado. Eu não gosto deste orçamento mas pergunto-me o que é que naquela altura seria preferível para Portugal.”

Manuel Alegre – “O Presidente tem a responsabilidade de garantir a representação de Portugal, de ser o moderador, de ser um mediador político e social.”

Manuel Alegre – “Se o Presidente tem dúvidas de uma lei envia-a para o Tribunal Constitucional, se não está de acordo veta, agora promulgar e manifestar dúvidas, reservas e discordar, é enfraquecer a lei.”

Francisco Lopes – “Eu assumo-me como candidato a Presidente da República e é o povo português que decidirá quem na primeira-volta serão os candidatos que passam à segunda-volta.”

Francisco Lopes – “A minha candidatura é alternativa para o exercício das funções do Presidente da República e traduz de forma clara um movimento de alteração profunda na vida nacional, vinculada aos valores de Abril num rumo patriótico de esquerda que responda aos interesses dos trabalhadores.”

Manuel Alegre – “A candidatura do Francisco Lopes é positiva na tradição do PCP que contribui para o debate, para a clarificação de posições e para combater a abstenção.”

Manuel Alegre – “O importante é mobilizar as forças necessárias para que haja uma segunda volta.”

Francisco Lopes – “A candidatura de Manuel Alegre é um direito e está em melhores condições do que a minha de mobilizar todos aqueles que apoiam a política do Governo. Sinto-me em condições para mobilizar todos aqueles que estão descontentes com esta política e as suas consequências.”

Francisco Lopes – “Portugal não está condenado ao desemprego, à decadência, à corrupção, o povo português não tem que viver pior.”

Francisco Lopes – “As Eleições Presidenciais são uma oportunidade para o povo português fazer ouvir a sua voz, a sua indignação, a sua exigência de mudança, a sua esperança de construção de um Portugal com futuro. O meu compromisso não é com os grupos económico-financeiros, não é com os mercados, não é com a União Europeia, é com os trabalhadores e com o povo português.”

Manuel Alegre – “Há 99 mil jovens desempregados no nosso país e mais de metade em trabalho precário. Um relatório da OCDE mostra que o saber e o conhecimento aumentou e que as novas gerações estão mais preparadas que as anteriores . O mercado de trabalho e o tecido empresarial não se adaptaram a essa mudança. Portugal precisa das novas gerações é uma das minhas preocupações e é uma das razões porque me candidato a Presidente da República.”

21h22 – Começa o debate.

[Debate] Manuel Alegre – Defensor Moura

Data: 16 de Dezembro de 2010

Horas: 20h50m

Canal Televisivo: RTP1

Moderadora: Judite de Sousa

Candidatos intervenientes:

Defensor Moura – candidato independente, membro do Partido Socialista

Manuel Alegre – candidato apoiado pelo Partido Socialista, pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Democrático do Atlântico

Em directo:

20h50 – Começa o debate.

Manuel Alegre – “Na direita havia muita gente que não se reconhecia na candidatura de Cavaco Silva e não teve a coragem de o dizer.”

Manuel Alegre – “A candidatura de Defensor Moura não me preocupa, mostra um acto de cidadania. Nunca houve no PS total unidade.”

Defensor Moura – “Dentro do socialismo democrata há quem não apoie Manuel Alegre.”

Defensor Moura – “Quem não ia votar em Manuel Alegre e iria votar em branco, pode votar em mim.”

Defensor Moura – “O que me distingue de Manuel Alegre é a minha vida pessoal. A minha experiência é muito diferente da dele.”

Manuel Alegre – “Eu estou onde sempre estive, e a minha candidatura é a mesma sendo ou não apoiada por dois partidos.”

Manuel Alegre – “Estou nesta disputa pela vitória. Não estou aqui para cumprir calendário.”

Manuel Alegre – “Se for eleito serei um Presidente de todos os portugueses.”

Defensor Moura – “Neste momento o importante é lutarmos pela segunda volta.”

Defensor Moura – “O Manuel Alegre é mais conhecido que eu. Boa sorte para ele e boa sorte para mim. Os eleitores é que vão analisar os nossos currículos e escolher.”

Manuel Alegre – “Cavaco Silva não dá as garantias que eu dou se for eleito Presidente. Seja qual for o Governo que coloque em causa os direitos sociais, eu irei vetar.”

Defensor Moura – “O Presidente deve ser um exemplo do cumprimento da Constituição e um exemplo que venha de toda uma vida.”

Defensor Moura – “Devem ser respeitados os direitos do trabalho e dos trabalhadores. O Presidente deve seguir a Constituição.”

Defensor Moura – “O Presidente da República tem por obrigação apontar os problemas estruturais do país.”

Defensor Moura – “O principal problema de Portugal é o regionalismo.”

Defensor Moura – “Os problemas financeiros de Portugal são da responsabilidade da administração pública e da corrupção.”

Manuel Alegre – “O grande problema português é o endividamento e o défice das contas públicas, incluindo o défice social.”

Manuel Alegre – “O primeiro grande responsável pela defesa da nossa soberania é o Presidente da República.”

Defensor Moura – “A imagem que vimos no outro dia de Lula da Silva a aproximar a mão de Cavaco Silva à de José Sócrates é importante. Deveria haver cumplicidade e sintonia de acção que fosse evidente para o exterior.”

Manuel Alegre – “O actual Presidente falhou na mediação política e social.”

Manuel Alegre – “Os portugueses estão descontentes com a política. Candidato-me para fazer tudo para preservar os direitos sociais e os serviços públicos. Este é o meu compromisso.

Defensor Moura – “Candidato-me para principalmente combater a corrupção e o clientelismo.”

21h22 – Termina o debate.