Aquivo do autor: Franclim Ferreira

Sobre Franclim Ferreira

Mestre e doutorando em Ciência Política. Advogado e consultor externo do BPI. Membro do Gabinete de Estudos do PSD, para a área da Justiça, e Presidente da Direcção Nacional da Associação Justiça para Todos. Continue a ler a biografia do autor.

Crónica: Memórias nem sempre Alegres

A pouco mais de 2 semanas das eleições presidenciais, a (pré) campanha subiu de tom e, manifestamente, baixou de interesse.

Quando todos esperávamos que se debatesse os temas que realmente interessam aos portugueses, somos confrontados com fait-divers que somente interessa a quem nada de interessante tem para dizer.

Manuel Alegre foi entrevistado na RTP1 e, uma vez mais, aos costumes disse, nada!

Mas houve algo que pela primeira vez ficou bem claro, algo que até então se percebia somente nas entrelinhas, Alegre é uma marioneta nas mãos de Louça, que divide os cordelinhos com Sócrates.

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Crónica: A insustentável leveza das convicções de Alegre

Os debates televisivos entre os candidatos à presidência da república, permitiram confirmar algo que já aqui havia dito, as eleições resumem-se à luta entre Cavaco e Alegre.

Os restantes candidatos limitam-se a cumprir calendário, a fazer o frete e, como Marcelo disse, e bem, a serem candidatos anti-candidatos.

Fernando Nobre é anti-candidato de Alegre, Defensor Moura é anti-candidato de Cavaco, Francisco Lopes é anti-candidato de qualquer coisa e José Manuel Coelho é anti-candidato de tudo e mais alguma coisa.

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Crónica: Última Página

A pré-campanha das eleições presidenciais prosseguem num tom morno estando definitivamente confinada a 2 candidatos, Cavaco Silva e Manuel Alegre.

Com todo o respeito que os restantes candidatos me merecem, as sondagens vieram confirmar o que é aliás, já de todos conhecida, ou seja, de que estes candidatos estão tão-só a cumprir calendário ou mesmo a fazer o frete.

Posto isto, como referi, a corrida é entre Alegre e Cavaco, com este último a partir à frente do adversário 25 pontos percentuais.

Recorde-se que em 2006 Cavaco venceu com uma diferença de 30% sobre Alegre, mas havia o factor Soares pelo meio que agora não se verifica, pelo que, seria (será que seria?) de esperar que essa diferença agora fosse bem menor.

O que é então que explica este fenómeno?

A resposta é simples, a candidatura de Alegre que afirma ser suprapartidária é apoiada (será que é?) pelo BE e PS e aqui tudo começa a complicar, porque para que Alegre possa ser candidato apoiado pelos 2 partidos acabou por desenvolver uma dupla personalidade.

Alegre na busca do sonho perdido em 2006, esqueceu-se que não seria possível manter um casamento com o PS e uma união de facto com o BE.

Não pode ser apoiado pelo partido do governo e simultaneamente pelo partido que faz oposição dura ao governo.

Esqueceu-se também que há quem no PS não se esqueça de 2006 (desde logo Soares).

Conclusão, Alegre cai na ambiguidade de pedir mais intervenção na sua campanha dos militantes do PS e ao mesmo tempo participa em manifestações de estudantes contra o governo!

Poderá Alegre esperar ter ao seu lado militantes do PS em manifestações contra o governo? Não me parece, ainda que comece a achar que isso já esteve mais longe.

Mas Alegre não se esqueceu somente destes pequenos pormenores, esqueceu-se também que o dito apoio do PS só vai servir… ao PS.

O PS apoia sem apoiar, mas cujo apoio desapoiado lhe vai permitir que a derrota brutal de Alegre que certamente virá afinal nem foi culpa sua porque… até apoiou!

Com isso lavarão as mãos, quais Pilatos, e deixarão claro algo muito simples, em 2006 não foi o PS que retirou a oportunidade a Alegre de ser PR, mas foi sim este o responsável pelo PS ter perdido essas eleições.

O PS aproveitou estas eleições para pôr Alegre no “sitio”, para que este não se esqueça que “quem se mete com o PS, leva” (lembram-se?).

Parece-me pois, que este será mais um poema com um final dramático para Alegre, que poderia muito bem ter servido de inspiração à sua “Última página”:

Vou deixar este livro. Adeus.

Aqui morei nas ruas infinitas.

Adeus meu bairro página branca

onde morri onde nasci algumas vezes.