Aquivo do autor: Fernando Moreira de Sá

Sobre Fernando Moreira de Sá

Licenciado em Ciências da Comunicação e estudioso do fenómeno das Redes Sociais enquanto instrumento de comunicação. Blogger desde 1995 escreve para vários blogs, é cronista no semanário Grande Porto e no Primeira Mão, é comentador do Porto Canal. Militante do PSD mas apresenta-se como liberal. Continue a ler a biografia do autor.

Crónica: A amiga Judite

O Pedro Correia, no Albergue Espanhol, já disse quase tudo sobre a atitude da Judite de Sousa na entrevista ao candidato presidencial José Manuel Coelho.

A sua actividade política é paga por uma das famílias mais ricas da Madeira. É verdade? Perguntou Judite de Sousa ao candidato. Obviamente, a jornalista pode fazer esta pergunta. Só existe um senão. Agora terá de perguntar aos restantes candidatos a mesma coisa, com as devidas adaptações:

A Manuel Alegre: A sua campanha é paga pelos antigos accionistas do BPP?

A Cavaco Silva: A sua campanha é paga pela SLN?

A Fernando Nobre: A sua campanha é paga pela família Soares?

Se o não fizer, não é coerente. Se o não fizer, vai parecer aqueles meninos matulões da escola que gostam de dar sopapos aos pequenitos e bater a bolinha baixa com os mais velhos.

Continuar a ler

Crónica: O Milagre

O Secretário-geral do PS afirmou na TSF e no Diário de Notícias estar confiante na vitória de Manuel Alegre nas eleições presidenciais de Janeiro.

O candidato Manuel Alegre perdeu as eleições presidenciais no momento em que não conseguiu ser o “candidato-vítima”. Nas últimas eleições presidenciais Manuel Alegre foi o homem traído pela ala soarista do seu próprio partido e o eleitorado quis castigar Mário Soares por uma candidatura completamente sem sentido. Essa divisão eleitoral no centro-esquerda e a dificuldade da esquerda mais radical em se unir, engolindo um sapo, permitiu a Cavaco Silva uma vitória na primeira volta.

Ao longo dos últimos anos, Manuel Alegre foi perdendo, paulatinamente, o tal “milhão de votos” conquistado anteriormente. Sempre que se aproximava da linha oficial do seu partido fugiam alguns milhares. Esta sua recandidatura, agora com o apoio oficial do seu partido e a oposição oficiosa da ala soarista, está condenada ao fracasso fruto destas circunstâncias e da dificuldade de entendimento na criação de uma verdadeira frente de esquerda nestas eleições. Se todo o centro-esquerda e a esquerda estivessem unidos em torno de Alegre e o centro-direita e a direita descontente com Cavaco Silva fosse tentada a votar em Fernando Nobre (ajudado por mais umas boas centenas de votos do soarismo), talvez fosse possível o milagre para Manuel Alegre. Talvez.

A realidade é outra e as palavras de José Sócrates só podem ser entendidas à luz de uma obrigação política natural de apoio ao seu candidato. Agora só um milagre. Será que Alegre, um republicano/laico e socialista acredita em milagres?

Crónica: A Motivação do Eleitorado

A acreditar nas sondagens de opinião recentemente publicadas, o actual Presidente da República terá pela frente um verdadeiro passeio eleitoral e uma vitória clara e expressiva.

Perante tal cenário, por sinal previsível, o maior adversário de Cavaco Silva será a abstenção e a ideia generalizada que a eleição está ganha. Os portugueses estão descontentes com a governação e mais preocupados com o futuro da economia nacional, olhando com alguma indiferença para umas eleições que não consideram decisivas para a mudança necessária.

Ao mesmo tempo, a previsão de resultado eleitoral para Manuel Alegre é uma verdadeira hecatombe. O eleitorado pretende, simultaneamente, enviar um sinal claro de descontentamento ao governo e Manuel Alegre será o principal prejudicado.

Porém, mesmo estando plenamente convencido da vitória de Cavaco Silva logo na primeira volta, julgo que os resultados não serão aqueles que as sondagens espelham. Na hora de votar o eleitorado comunista fará com que o seu candidato se aproxime dos 9 a 10% e Manuel Alegre não terá menos de 25%, andando Cavaco Silva pelos 55%.

Uma coisa parece certa: os portugueses não estão, ainda, mobilizados para estas eleições. Porventura, já só pensam em legislativas antecipadas. É uma questão de motivação. Ou de falta dela…

Crónica: O voto de protesto em Portugal

O Manuel João Vieira, uma vez mais, está a tentar conseguir as assinaturas para ser candidato à Presidência da República.

No Facebook os apoiantes multiplicam-se mas as assinaturas rareiam. O que é uma pena. Estou convencido que teria uma votação surpreendente. O voto de protesto, alguma abstenção e o eleitorado mais jovem e mais urbano poderiam ter no “Candidato Vieira” uma hipótese de se fazer ouvir.

Bem sei que em Portugal não existe esta tradição, ao contrário do que acontece em diferentes países europeus ou no Brasil (Eneias ou Tiririca são disso bom exemplo), de forte componente humorística e representativa do voto de protesto.

Seria interessante até para perceber o que vale, na realidade, o voto de protesto em Portugal. Era um bálsamo para uma campanha eleitoral que aparenta vir a ser muito cinzenta.