Eleições Presidenciais 2011 podem ser alvo de sete boicotes e apelos à abstenção

Populações de sete freguesias e concelhos ameaçam aproveitar as eleições presidenciais de domingo, através de boicotes e apelos à abstenção, para reclamar a construção de várias infra-estruturas.

A população de Muro, concelho da Trofa, admite faltar às eleições presidenciais, em protesto pelos atrasos na construção da linha de metro do Porto até Trofa.

A população de Pedras Salgadas, em Vila Pouca de Aguiar, saiu quinta-feira à rua a apelar à abstenção nas eleições presidenciais e para mostrar o seu “descontentamento” pelo não cumprimento do projecto hoteleiro Aquanattur no parque termal.

A freguesia de Caíde de Rei, Lousada, vai manifestar-se domingo “pela positiva” em defesa do alargamento do cemitério e contra várias “injustiças”.

A hipótese de boicote às eleições presidenciais foi colocada também “em cima da mesa” pelo movimento cívico que defende o projecto do metropolitano de superfície do Mondego.

A Junta de Freguesia de Gralheira, Cinfães, admitiu também boicotar as eleições presidenciais, em protesto pela inexistência de rede de telecomunicações móveis. A população promete colocar nas urnas dois bois, com a inscrição “BOIcote”. Também a população de Granho, Salvaterra de Magos, poderá boicotar as eleições de domingo, em protesto contra o encerramento do posto de saúde. Um panfleto anónimo a apelar ao boicote foi distribuído esta semana pela freguesia.

A Associação de Defesa do Património de Beja chegou a admitir boicotar as eleições presidenciais, em protesto contra o eventual fim das ligações directas do comboio Intercidades entre Beja e Lisboa, mas recuou na intenção, disse à Lusa o presidente da associação, Florival Baiôa.

A reivindicação de “Canas (de Senhorim) a concelho” deixou há vários anos de marcar boicotes eleitores que incluíram outras exigências como torres eólicas, internet, estradas, serviços e lutas partidárias. Mas no topo da lista da contabilidade continuam os boicotes que ficaram por fazer, mas que tentaram ser uma arma, mesmo que em causa estivesse a taxa de alcoolemia.

Para chegar a concelho, o que foi aprovado no Parlamento mas vetado em 2003 pelo então presidente da República Jorge Sampaio, a população de Canas de Senhorim iniciou boicotes eleitorais em 1997. O jejum foi quebrado nas legislativas de Março de 2002, mas voltou nas eleições europeias de 2004 e nas legislativas de 2005. Nas presidenciais de 2006 chegou a haver identificação de habitantes da freguesia de Passos (Braga) devido a um inquérito sobre o boicote e em 2001 foi conhecida a absolvição do Tribunal de Miranda do Douro a 21 acusados da destruição do material eleitoral durante o boicote às eleições europeias de 1999.

Os autarcas das freguesias estão de acordo que o boicote que se pretende é voluntário, mas esperam abrir as urnas e não ver nenhum cidadão a cumprir o direito cívico de votar.

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