Crónica: 0% de interesse no arranque da campanha eleitoral

Arranca hoje oficialmente a campanha eleitoral para as presidenciais 2011, no fundo faltam 14 dias até às eleição do Presidente da República, os candidatos deverão intensificar os contactos com as populações e as acções políticas. A pré-campanha tem sido extremamente envolta em nuvens de suspeitas, entre BPN e BPP, entre acusações a Cavaco e Alegre com uma grande diferença: só Alegre atacou directamente Cavaco Silva (depois da “lebre” de nome Defensor de Moura).

Alegre precisava como disse aqui no último artigo de um Coelho para tirar da cartola, não o candidato Coelho, mas sim, um que permitisse recuperar a desvantagem depois de um mau debate com Cavaco Silva. Optou por retirar o tema a Defensor de Moura, optando pela campanha da suspeição e da acusação.

Esta opção reveste-se de alguns riscos, o primeiro já está à vista, o “efeito ricochete”, as trapalhadas da devolução ou não de um cheque provindo de um anúncio que fez enquanto era deputado, pouco relevante, por certo, mas relevante para quem levante o dedo contra o outro. Alegre assumiu o discurso de outro, assumiu o estilo de outro, 1º com dificuldade, no debate, nos últimos dias com a insistência, mas assume agora as primeiras consequências do seu ataque e ainda por cima Cavaco Silva nem sequer precisa de atacar directamente, nem acusar. Manuel Alegre corre ainda um segundo risco, não colher dividendos políticos, nem votação pelo tipo de discurso que fez e pela forma com se enredou nas suas própria opções literárias de apoio ao BPP. Ele era deputado quando fez aquele anúncio, o que em termos éticos é muito pouco claro.

A partir de hoje os candidatos percorrem o país em busca do melhor resultado possível, relembre-se que para Cavaco superar o resultado de Sampaio 56% é a base de sucesso apreciável, e para Alegre, juntar o pleno dos dois partidos andará à volta dos 40%. Para Nobre o desafio é arranjar espaço para aparecer, para Francisco Lopes a capacidade de resistência Comunista ficará garantida a partir dos 5% e para Defensor Moura a desistência é hoje mais clara!

Os Portugueses sente neste mês os fortes impactos financeiros das medidas de austeridade, as reduções salariais, o aumento do IVA e alargamento do número de produtos nos escalões mais elevados, o novo código contributivo, os aumentos generalizados nas Luz, Água e telecomunicações, conjugados agora com uma campanha Presidencial decepcionante.

A classe Política vive hoje um distanciamento da realidade com óbvios impactos na forma como ela própria é vista pelos Portugueses. Há no entanto uma esperança, estes 14 dias de campanha eleitoral são a última oportunidade de demonstrar o contrário.

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