Crónica: O paradigma do coitadinho português

Li um artigo, não há muito tempo, que descrevia de forma exímia a governança que se pratica em Portugal, no que concerne à história das suas finanças, sejam elas públicas ou privadas. A história destas era cotejada com a de um toxicodependente que, e cito, “de irresponsabilidade em irresponsabilidade, consumindo sempre mais do que o que se tem, gastando e exigindo o dinheiro dos outros, sempre à beira da catástrofe mas beneficiando de uma sorte que chega com uma regularidade espantosa”, resume desta forma aquilo que o país tem vivido de há umas décadas a esta parte, primeiro com a abertura ao mercado externo no 25 de Abril, passando pela entrada na CEE em 1986, acabando na entrada em vigor do mercado único em 1993.

O paradigma do coitadinho português não é, certamente, um assunto novo. Não é um resultado da crise económica, mas sim da crise de valores. Ao coitadinho português sempre faltou um espírito capitalista, embora o Estado Novo tenha contribuído em larga escala para este comodismo instalado na sociedade, ao fechar os mercados, especialmente na metrópole. Não obstante, faltam ganas ao coitadinho português, e não são poucas.

É impreterível fomentar o investimento interno e externo no nosso país, condição fundamental para o fortalecimento e recrudescimento da nossa economia. Se por um lado, pouco apoio é dado a quem de cá pretende investir, lá fora, os poucos que se interessam, esbarram num país sem facilidades, com mão-de-obra pouco qualificada que já não é barata (agora que somos 27), um pacote de leis laborais desactualizado, rígido e burocrático e uma instabilidade política constante.

E daqui advém a verdadeira tónica deste espaço, as Presidenciais. Vejo o Professor Cavaco Silva como sendo a única escolha possível, não só porque acredito que seja o único com capacidade e responsabilidade para utilizar o seu conhecimento teórico e empírico eficazmente na posição à qual se recandidata, mas também pelo proletarismo inglório protagonizado pelos seus demais opositores progressistas. A esquerda que temos actualmente em Portugal, é a eterna detentora de ideais irrealistas, insustentáveis e puramente demagógicas, que marcam agressivamente um posicionamento trabalhista e operário, apenas comparado ao do eterno coitadinho português.

É impossível distribuir riqueza, sem a criar primeiro, e isto é algo que a esquerda portuguesa nunca irá entender.

E não é, com certeza, esta esquerda cega e surda, cujo único trunfo é incongruente entre as partes que o suportam, que vai significar uma melhoria no rumo a dar ao país. Cavaco Silva é a escolha certa e a sua oposição só veio desmentir que o todo, afinal, não é maior que a soma das suas partes.

1 comentário a “Crónica: O paradigma do coitadinho português

  1. Joca

    Excelente artigo. Parabéns. É bem verdade que Portugal precisa dum novo paradigma, de uma nova mentalidade, de novos actores políticos que tenham como objectivo tornar o país economicamente viável, fazendo do mundo o seu mercado alvo. Fazer com que o Estado deixe de ser o suporte financeiro, assistencial, e providencial, à sombra do qual se abriga metade da população e milhares de empresas, é uma tarefa de gerações mas inadiável. O Estado precisa ser reduzido à sua menor expressão económico-financeira, e aumentado na sua vertente fiscalizadora e judicial. Para isso, as empresas precisam não ter entraves à sua actividade económica.

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